A MAIS GRANDIOSA EXPERIÊNCIA DA MINHA VIDA – A MATERNIDADE

27 abr • LOVE IT!, maternidade7 comentários em A MAIS GRANDIOSA EXPERIÊNCIA DA MINHA VIDA – A MATERNIDADE

Minhas lindas (e lindos!) … Enfim, totalmente tocada (e modificada) pela benção da maternidade, resolvi contar para vocês um pouco da minha “experiência – MÃE”. No auge dos meus 38 anos, carreira decolando, vida ultra atribulada, mil projetos, sonhos e metas profissionais, abençoada pela “paixão pelo que faço” (sim, porque isso é privilegio! Mesmo com todas as dificuldades próprias da profissão), me vi estranhamente “tocada” pela questão da maternidade. De repente me peguei pensando… “e se eu engravidasse?”. Muito pelo avançar da idade (sabemos que os óvulos não são os mesmos depois de cerca de 35 anos), mas também por uma estranha sensação de “ter tudo e não ter nada”…. Mais ou menos isso…

 

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Não saberei me expressar aqui como gostaria… talvez porque esse toque não seja racional… ou ao menos racionalizado. Acho que se trata de um toque divino… uma intuição… algo inexplicável, difícil de explicar. Parece que simplesmente sentimos o momento… Parece que somos intuídos pelos nossos amigos espirituais que nos dizem: “chegou a hora”. É fato que a realização profissional preenche e as experiências afetivas alimentam (o amor nutre!).  Conquistas pessoais, materiais e profissionais são nossos objetivos, são o sentido da vida, é isso que nos move. Mas chega uma hora em que nos “mecanizamos” um pouco. Temos um sonho, movemos o mundo, mergulhamos em mais um projeto. Se temos força de vontade e disciplina eles se concretizam e tudo dá certo, é claro que dá. E então vem outro sonho, outra meta. Surgem novos amigos, novas pessoas, um próximo congresso, novidades, conhecimento, cursos, reuniões, jantares, e vamos vivendo…. Mas chega um momento em que isso não basta. Nossa essência pede mais. Estamos sedentos pela realização essencial do ser….  Algo que nos remeta a algum tipo de divindade. Somos centelha divina. Somos a expressão máxima da inteligência divina existente em tudo. A natureza grita…… o espírito feminino, que é essencialmente reprodutor e tem instintos orgânicos e espirituais maternos pede a concretização desse mandato… O corpo feminino pede reprodução. Isso tudo transcende…

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No meu caso, demorou um tempo para que eu ouvisse essa voz. Meu comprometimento profissional e dedicação à cirurgia e ao consultório são tão grandes, minha alma respira tanto isso, que eu ouvia a intuição, mas as atribulações falavam mais alto… O turbilhão de compromissos e metas eram tão grandes e o cumprimento de tais obrigações estava tão automático, que simplesmente sublimei “o chamado” por alguns meses… Talvez anos, confesso que não sei exatamente. Mas o fato é que eu me via totalmente preenchida pelo “profissional” e pelo amor conjugal e familiar, mas minha essência “mãe” faltava… E isso aflorava constantemente em momentos de profundo vazio, às vezes em um comportamento frio, a uma “ausência” ou “falta” que eu não conseguia explicar.

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Engravidei. E aí eu tive certeza de que Deus realmente olha o tempo todo por todos nós. Mesmo quando não merecemos tanto…. Ele é nosso pai, no literal sentido da palavra. Mesmo sendo crianças indisciplinadas, inconsequentes e infantis… Ele nos guia, escolhe nosso destino e decide por nós independente até de nossas escolhas. Engravidei na primeira tentativa… tentativa inconsciente, se é que vocês me entendem…

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Os primeiros 3 meses foram melancólicos pela presença forte do beta HCG circulante no sangue… Do 4º ao sétimo mês trabalhei normalmente, ganhei muito pouco peso, me senti ótima, e fui me organizando para a chegada da Geórgia. O 8º mês foi mais difícil porque tive contrações precoces, talvez pelo excesso de trabalho e o peso da carreira (que não parou e nem diminuiu de intensidade). Fui obrigada a me ausentar em alguns momentos, a digitar deitada, e fiquei com dor no pescoço e nas articulações das mãos porque meu corpo pedia repouso, mas minha cabeça não parava… E me virei como pude até o grande dia.

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Até aqui posso dizer que encarei tudo de um jeito muito natural, muito tranquilo, e vivenciei a gravidez como algo tão fisiológico e tão “normal” que me surpreendi, positivamente. Hoje posso dizer que se você se alimentar adequadamente, ingerir líquidos, fizer repouso relativo e cumprir com a rotina de exames e ultrassons, desde que não tenha maiores problemas de saúde, todo esse processo pode ser completamente fisiológico e os pequenos incômodos são irrelevantes.

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Portanto para quem tem planos de engravidar, mas morre de medo disso e daquilo que as pessoas falam: não precisa temer nada. Faça sua parte, que tudo será natural e você será tocada pela questão maior de ser mãe e passará numa boa por todos os pequenos incômodos que surgirão. Afinal, ali dentro daquela barriga, está acontecendo o maior milagre da natureza e Deus está lhe presenteando com o maior bem que um dia poderia sonhar…. Portanto dorezinhas e dificuldadezinhas são sim, irrelevantes!

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Acordei emocionada no dia 8 de abril. Chorando…. E não sou chorona! Como disse anteriormente: transcende. Não dá para explicar. Coloquei meu melhor vestido, maquiei, fui para o hospital em oração silenciosa, totalmente conectada com a espiritualidade. (Me senti amparada e conduzida o tempo todo). Sugestão de leitura: “Nossos Filhos são Espíritos – de Hermínio C.  Miranda”). Já no hospital, pude sentir a expectativa e o amor da minha família e amigos. Todos emocionados.

video entrando na maternidade

A Bil, minha irmã estava comigo no momento da anestesia – única hora incômoda, mas nada demais. Minha outra irmã, Florence, e meus pais, na sala ao lado, já emocionados com o momento.De repente, choro inconsolável… sensação de decolagem… saí de orbita. Terrestre. Me vi literalmente em outra dimensão. Pude sentir a espiritualidade presente. Mas isso é outro capitulo. O choro realmente era incontrolável. Mas silencioso, contido e emocionado. Desde a assepsia, até o primeiro chorinho já no ar ambiente, me senti assim, totalmente entregue aos médicos e equipe, e em oração, para que a chegada espiritual fosse permeada de amor e amparo.

video na maca

De repente ouvi a vozinha dela… o chorinho…. Em seguida vi a expressão do pai… as lágrimas, depois a expressão de todos os outros de emoção…. Depois a voz amável da minha médica, dizendo como era linda, saudável, gordinha e que tinha feito xixi no campo cirúrgico!!! E então… após os cuidados iniciais, meu primeiro alívio depois de ouvir o chorinho, foi de perceber que não havia nenhuma anomalia física, depois ouvir o APGAR 9,9. Neste momento mentalmente me ajoelhei aos pés de Deus e agradeci. Fervorosamente. Nunca me senti tão grata em toda a minha vida. Um minuto de silêncio.

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E então eu a senti nos meus braços… Gente…. Aquele gemidinho… o chorinho suave… a respiraçãozinha próxima ao meu rosto, o calor do corpinho… a umidade da pele encostando na minha… o toque, o pesinho dela no meu peito… Meu Deus…. Naquele momento eu fiz uma promessa: eu seria uma pessoa melhor. Em todos os níveis. Eu estava prometendo a Deus e me comprometendo com todas as pessoas que cruzassem meu caminho. Eu seria melhor, um ser humano melhor, eu nunca seria leviana com o próximo, eu sempre daria o melhor de mim, eu não falharia como filha, eu me transformaria numa serva eternamente. Era o jeito de agradecer….

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E a partir dali, comecei minha experiência física de mãe, porque espiritualmente eu já havia experimentado desde do exame positivo, há 9 meses …. Depois deste primeiro momento, ainda no bloco cirúrgico, quando retomei a consciência e sai daquele estado de transe, é que pude reparar melhor no grande milagre…Como de duas células se forma um corpo humano?! A respiração… o sopro da vida expandindo os pulmões até então colabados dentro do útero. O cabelinho e as unhas formadinhas. Aqueles dedinhos fininhos e delicados, móveis, perfeitos, as articulações em perfeito funcionamento. A boquinha… a bochecha… os contornos das orelhinhas…. a pele recobrindo todos os relevos e reentrâncias da forma… As elevações e retrações, as curvaturas ascendentes e descendentes, as linhas divisórias das mucosas e da tegumento, a presença dos anexos cutâneos, os olhos, o movimento da íris abrindo e fechando, a hélice e a antélice e todo o mecanismos auditivo ali dentro… Os movimentos de sucção, instintivos, presentes involuntariamente, essenciais nos momentos iniciais da vida.

video

Com o passar das primeiras horas fui observando os traços faciais… E identificando o fenótipo… resultado dos genes maternos e paternos… Características da mãe, do pai e a mistura dos dois… O ar entrando pelas duas narinas, os movimentos respiratórios, os reflexos neuromotores, todos testemunhas e evidências da maior engenharia de todas, inexplicável ainda pela ciência: o intrigante sistema nervoso, um número infinito de neurônios, todos em uma sintonia milagrosa agindo orquestralmente e resultando em última análise, no grande milagre da vida.

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A amamentação… ao menor estimulo dos mamilos, o leite escoa. Depois de 3 horas da última mamada, quando ela começa os gemidinhos de fome, coincidentemente, a primeira gotinha começa a brotar… A natureza é tão perfeita que até o formato dos braços segurando o bebe, junto ao peito, tem a curvatura do útero e a posição da cabeça da criança assume a posição intrauterina. Além disso, ao apertar um pouco mais a criança junto ao corpo da mãe, os braços entrelaçados imitam as paredes do útero exercendo essa pressão sobre o feto. Este é um dos motivos pelos quais a criança se acalma ao ser amamentada. Mais uma observação: a palma das mãos da mãe é do tamanho exato do crânio da criança e serve para apoiar com segurança a cabecinha. A visão do recém-nascido também é mais nítida a 25 cm dos olhos, exatamente a distância da altura dos braços que apoiam a cabecinha, ao rosto da mãe.

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Dificuldades a parte, dor, fissura mamilar, a falta de jeito dos primeiros dias de amamentação, o ato de alimentar o filho é outro inexplicável. Sentimos dor, mas a vontade de fornecer o alimento é maior. Sentimos sono, mas a responsabilidade da hora é muito maior. Adquirimos o sono leve, descansamos como podemos, ao menor sinal de fome, ali estamos nós, milagrosamente acordadas as 3 da manhã… E depois de alguns dias, a capacidade de cicatrização dos mamilos é gigante. Eles amanhecem indolores…. O leite “desce”, e começa a brotar quando a criança acorda para se alimentar… é tudo divinamente sincronizado.

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A alta do hospital aconteceu em 48 horas.Como num passe de mágica estávamos nós, eu e meu amor chegando em casa com nossa filhinha nos braços, muito abençoados e eternamente agradecidos. Depois da saída da placenta, que produz durante a gestação um turbilhão de hormônios essenciais à vida intrauterina, experimentamos uma queda brusca dessa taxa de hormônios circulantes. É por isso que os cabelos caem, o útero contrai, produzimos leite, enfim, passamos por grandes mudanças, físicas e também emocionais. A chamada depressão pós-parto se deve em grande parte, a essa queda da taxa hormonal, brusca, repentina, mas totalmente prevista…. Ficamos mais emocionadas, vamos chamar assim. No meu caso, não senti preocupação, nem medo, nem achei que meu leite não alimentava…. Nada disso que as pessoas relatam. Talvez por ser médica e já estar com 39 anos, tive maturidade suficiente para dar a cada preocupação, a dimensão exata. Me senti sim, chorosa e o termo certo é “apaixonada”. Me apaixonei pelo rostinho, pelo cheiro, pelo afeto dos primeiros momentos. Saber que dali a 1 semana a carinha dela já estaria diferente me doía. Saber que ela cresceria rapidamente e que na verdade “filhos são para o mundo, somos apenas meios de fornecer a vida e educadores dos primeiros anos” me causou uma dor sem limites. Mas como tudo passa e nos acostumamos com tudo, hoje, com 18 dias do parto, já não estou mais emocionada assim. Ainda choro quando vou amamentar. Ou às vezes só de olhar, mas é de gratidão. E de paixão. Deus passou a estar mais presente em minha vida, pois me lembro dele a toda hora. Passei a orar todos as noites, mesmo tão cansada e sonolenta, e passei a orar de joelhos, como ainda não tinha feito.

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Voltei a trabalhar aos poucos. E muitas pacientes tem me relatado como mudei. O semblante, a fisionomia, a doçura, a energia, a aura. Este é mais um milagre (são tantos!) … Não sei explicar como, mas sei que quando experimentamos a vida em sua expressão máxima – e a maternidade é uma das expressões máximas da essência, nos preenchemos de vida, de amor. A gratidão transforma. A felicidade abundante toca a alma. A experiência divina modifica. A alma sorri. Agradece. A vida se renova. Ficamos diferentes.

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Agora, só agora pude compreender a expressão “padecendo no paraíso”. De todas os prêmios profissionais que ganhei, todas as minhas grandes realizações, aprovações, minha formatura, meu casamento, minhas experiências grandiosas, todas foram importantes e marcantes, mas meu grande dia foi o 8 de abril de 2016. Meu maior momento, minha melhor experiência. O mais próximo que cheguei de Deus.

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Hoje me sinto plena, grata, feliz. Eu olho minha filha e agradeço mentalmente de joelhos. Eu olho meu marido e o agradeço em lágrimas por ter feito parte desse grande milagre. Eu vejo meus pais e só agora entendo o quando devemos a eles. Aliás a espiritualidade nos ensina isso: a oportunidade da vida, dada pelos pais, sejam eles bons ou ruins, perfeitos ou não, enfim, em qualquer circunstância, a oportunidade da vida é dívida impagável que adquirimos com esses espíritos. Só por nos trazerem ao mundo. Por doarem seus genes e no caso da mãe, seu corpo físico, por serem orientadores e educadores. Só agora eu compreendi a verdadeira dimensão da grandeza da maternidade e da paternidade.

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Eu quis escrever por que preciso pôr no papel minhas ideias e reflexões sobre a vida e minhas experiências. E queria que esse relato chegasse de alguma forma aos futuros pais. Sei, até como médica, que nem sempre tudo corre tão bem. Às vezes as mães passam por grandes provações durante a gestação, enfrentando enfermidades difíceis. E muitas mães e pais tem que lidar com a deformidade física ou anormalidade mental/ comportamental dos seus filhos. Grandes provações… E eu lamento muito que existam tantos corações que sofrem tais provas. Este relato é de uma mãe espirita, médica, e abençoada por uma gravidez perfeita e uma filha perfeita…. Obrigada meu Pai por essa benção! A você mamãe e papai que lerem este texto, desejo que também tenham uma experiência positiva, e se não for o caso, que a crença no amor de Deus e na perfeição da lei sejam alento para qualquer tipo de dor.

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Patrícia Leite Nogueira

7 Comentários para A MAIS GRANDIOSA EXPERIÊNCIA DA MINHA VIDA – A MATERNIDADE

  1. Luciana Marques disse:

    Parabéns, texto lindo, inspirador e tocante. Parabéns pela família, realmente todos merecem passar por essa maravilhosa experiência.

  2. Bruna Sette disse:

    Depois de tantas palavras lindas lidas neste texto eu tenho a dizer pra senhora Dr. Patrícia, tenho um prazer imenso por ter te conhecido pessoalmente, por alguns minutos, e amo acompanhar seu trabalho. Felicidades, muitas felicidades mesmo pra você, seu marido e à princesinha Geórgia. Abraço.

  3. Vanessa Dias disse:

    Fiquei realmente emocionada coma grandiosidade do que escreveu… Ainda nao sou mae, mas pude sentir um pouco da magia dessa experiência nas suas palavras.

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